terça-feira, 16 de dezembro de 2014

NEM SEMPRE



Nem sempre a vida é mágica...
Mas, por vezes, há imagens que nos falam...
Palavras que nos sorriem e olhares....
Olhares que nos consolam, que nos acariciam...
Que, apesar de tudo,
fazem com que se sorria também...


sábado, 13 de dezembro de 2014

MORRER DE AMOR




Diz-me...
O que é morrer de amor... Pois acho que já morri...
Que outro nome poderei dar?... A todo este vazio que me apunhala...
Aos olhos baços... aos lábios sem cor... A esta cara encovada...
Diz-me se morri... Pois há dias em que me interrogo sobre o que faço aqui...


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O NADA




Esta é uma carta ao Sol...
Uma carta sobre o brilho, sobre o dourado...
Para esquecer o frio da noite...
A solidão... O silêncio...
E depois... o nada....


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

EXÍLIO




Um dia... exilei as palavras na Lua...
Hoje, procurei-as... Intensamente...
Mas as palavras ignoraram-me... Desprezaram-me...
E sou eu agora quem fica presa nesse exílio...
Pois não sei o que dizer para que me perdoem...


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

TARDE FRIA





Este é o meu desafio...
Escrever cartas... Sem que sejam de amor...
Porque não falar sobre o poema favorito?
Ou sobre o prazer de apenas sentir o corpo?
De como esse momento se torna numa memória perfeita...
Numa tarde fria de Outono...


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

RESPIRA-SE



Abram alas...
Não falem... Desfaçam os sorrisos...
Pois algo me diz que hoje haverão más noticias...
E se as houver, digam-nas depressa...
Não preencham o tempo com banalidades!
Digam a verdade nua e crua...
Será um choque, eu sei... Pois a verdade magoa...
Mas, pelo menos, foi dita...
E assim respira-se....




domingo, 23 de novembro de 2014

REDUZIDA

Podemos escrever muitas cartas na vida, algumas divertidas, outras mais tristes, mas nunca pensamos verdadeiramente como uma carta nos pode surpreender, magoar até.
Não, nunca pensei receber uma carta tão seca, tão formal que tive que a ler uma outra vez para ter a certeza de que compreendi o conteúdo.
A primeira reacção foi amarfanhar a pobre carta e protestar contra a estupidez de quem a enviou. Depois, mais calma, alisei o papel e reli-a.
Uma vida inteira reduzida a isto – uma simples folha de papel cheia de termos pomposos.
Posso voltar a usar o meu nome de solteira se quiser; fico com a casa e tudo o que estava só em meu nome – o resto será dividido como previsto.
Nem isso me consegues dizer!!! Podíamos conversar sobre o assunto; mas não, tinhas que pedir ao teu advogado para me mandar esta carta.
Sim, estou furiosa e com vontade de te telefonar. Ou talvez te escreva uma carta, uma carta verdadeira escrita com o coração, que deixe a nu a minha dor.
Pensando bem, para quê desperdiçar as palavras com alguém que as poderia utilizar contra mim?
Golpe baixo, meu caro, atitude de quem se sente inseguro. E tens o Mundo a teus pés!


Nota:
"Tema: Carta"
Excerto do texto desenvolvido para o tema, mas não enviado para a Editora para publicação na Colectânea"