domingo, 2 de agosto de 2015

A OUTRA VOZ




Este é, talvez um texto muito pessoal...
Mas tudo é pessoal quando me lembro da minha Mãe...
Porque hoje estou no lado escuro do Mundo e a minha Mãe sabia tudo sobre esse lado aborrecido da Vida...
Deixava que a dominasse e nesses dias não falava, não sorria... 
E eu?
Não estou a sorrir, mas estou a falar... 
Com a minha outra voz...


quarta-feira, 29 de julho de 2015

JOGO





Dizem que a vida é um jogo...
Se é, perdi esta jogada... Talvez por minha culpa...
Por não entender toda esta agressividade... 
Esta necessidade de humilhar os outros...
Por isso, hoje não vou olhar o Mundo...


sexta-feira, 24 de julho de 2015

BELLA - FIM




Teresa voltou a sentar-se. Sentia-se vazia e culpada, não sabia bem de quê. A única certeza que tinha era que a vida ia mudar. Drasticamente!
Entretanto, Bella adorou o passeio na praia. Escavou vários túneis, ladrou às gaivotas e jogou futebol com uns miúdos tão endiabrados como ela. Quando regressou a casa, estava tão cansada que nem reparou que havia uma reunião familiar à porta fechada.
A vida continuou a decorrer tranquila e se bem que achasse estranha a ausência de Gustavo, não lhe deu muita importância. Nem mesmo quando colocaram a placard com a palavra “VENDE-SE” no jardim. Ou quando viu as caixas de cartão que Alice começou a montar e a encher com roupas e outras coisas.
Só se assustou verdadeiramente quando viu a casa vazia e o Dr Gustavo a fez entrar no carro, dizendo: “ Anda lá, Bella! Vamos para a nova casa! Tu vais gostar!”
Mas Bella não gostou. Não tinha jardim, apenas um grande terraço e a nova mulher do Dr Gustavo não a deixava vaguear livremente pela casa. Só quando ele estava em casa...
Bella deixou de ser uma cadelinha feliz; tornou-se desconfiada e passava os dias escondida, a sonhar com os dias felizes passados naquele lindo jardim.


FIM

quarta-feira, 22 de julho de 2015

BELLA - IV PARTE



" Olá, Alice. Está tudo bem consigo? “ perguntou Gustavo e pouco faltou para Alice deixar cair o auscultador. Teresa levantou a cabeça e a cadelinha aproximou-se curiosa de Alice que fez um esforço para responder civilmente.
Olá, Dr Gustavo. Estou bem e o Senhor?” e olhou para Teresa, que lhe fez sinal de que não falaria com ele. Mas não era com a mulher que o Dr Gustavo queria falar.
Obrigada. Era mesmo consigo que eu queria falar, Alice. Queria que me fizesse as malas; duas, pelo menos. O resto vejo depois com a Teresa. Não se importa de fazer isso agora enquanto eu vou dar um passeio com a Bella?”
Claro que não, Dr Gustavo!” respondeu Alice, consciente da agitação crescente de Teresa.
Óptimo!” sorriu Gustavo “ Estou estacionado em frente ao portão. Ponha a trela na cadela e traga-a até aqui. Acha que uma hora e meia chega para me fazer as malas? Levo-as quando trouxer a cadela!” e sem lhe dar tempo para reagir, desligou.
Teresa atirou a chávena contra a parede e Alice deu um grito. Assustada, Bella começou a ladrar, mas Alice impôs silêncio com um “ssh” forte.
Dra Teresa, o Dr Gustavo está lá fora e vai levar a cadela a passear. Quando eu regressar, vou telefonar à sua irmã e pedir-lhe para vir até cá... A senhora tem que falar com alguém da família...” sugeriu, colocando a trela à cadela e levando-a para o jardim.

(Continua)

domingo, 19 de julho de 2015

BELLA - III Parte



Então, então...” repetia Alice “ Vai ver que é só um mal-entendido!” mas Teresa abanou a cabeça e soluçou:
Não, ele tem OUTRA! Quer casar com ela!” e Alice teve que se sentar com o espanto.
Bella tentou chamar-lhe a atenção, mas a Alice afastou-a bruscamente. Ainda abriu a boca para dizer qualquer coisa, mas nenhum som saiu e só o choro de Teresa interrompia o silêncio.
A cadelinha enroscou-se no cesto. “ Que se passa com esta gente? Ainda ontem riam e agora choram. Não entendo nada!” e fechou os olhos.
O telefone assustou-as e Alice levantou-se pesadamente. Também ela não sabia o que pensar e muito menos o que dizer àquela mulher chorosa. Quem diria que toda aquela paixão ia desaparecer?
Suspirou e pegou no auscultador: “ Bom dia!” tentou ser o mais natural, mas a sua voz soou rouca e a pessoa do outro lado notou.

(Continua)

quarta-feira, 15 de julho de 2015

BELLA - II PARTE



Percorreu a casa inteira, farejou-o em todas as divisões, mas não o encontrou.
Estranho! ” pensou “ Onde se meteu? “ e voltou para a sala. As luzes já estavam apagadas e a cadelinha resolveu ficar ali entre o sofá e a mesa do café.
O dia seguinte amanheceu cheio de Sol e a cadelinha espreguiçou-se satisfeita. Resolveu ir até à cozinha e ficou apreensiva porque estava deserta. Geralmente, ele já lá estava a fazer café e abria-lhe a porta que dava para o jardim.
Tinha que esperar que alguém aparecesse e Deus queira que não demorassem muito. Precisava mesmo de ir ao jardim e sabia muito bem que a Alice não gostava nada que ela fizesse xixi ali.
Em breve, ouviu a chave na fechadura e precipitou-se ao encontro da Alice que apanhou um valente susto.
Oh, Bella, o que fazes aqui? Porque é que não estás no jardim? “ exclamou mas a cadelinha escapou-se.
Deu uma grande volta pelo jardim, cheirando as rosas e os amores-perfeitos e obrigou o gato da vizinha a subir rapidamente para uma árvore. “ Que ousadia!” disse Bella “ Tens árvores no teu jardim!”
Satisfeita, entrou novamente na cozinha que cheirava já a café. Mas estacou ao ver a dona sentada à mesa, ainda em roupão e a Alice a dar-lhe um abraço.

(Continua)

segunda-feira, 13 de julho de 2015

BELLA




Esta é a história de uma cadelinha que vivia no meio de sedas sussurrantes e veludos macios.
Havia igualmente um grande jardim que ela gostava de explorar.  E no jardineiro tinha um bom amigo, apesar das partidas que lhe pregava.
A vida decorria ociosamente até que uma noite houve vozes alteradas e uma porta batida com força. A cadelinha ficou curiosa e foi até à sala onde encontrou alguém a chorar. Aproximou-se dela, pôs o focinho nos seus joelhos e esperou por uma festa. Esperou em vão, pois ignoraram-na e a cadelinha foi então à procura da outra pessoa da casa.



(Continua)