sábado, 25 de abril de 2015

BANAL E TRISTE




Hoje não tenho qualquer história a contar...
E não posso dizer porquê...
Falha-me a voz... As palavras...
Há lágrimas nos meus olhos... 
E sinto-me banal e triste...




quarta-feira, 22 de abril de 2015

O JANTAR FALHADO


Margarida vai dar um jantar. E amaldiçoa ter gabado os seus (inexistentes) dotes culinários. Mas o que podia ela fazer se a conversa favorita no escritório era comida e a troca de receitas? E, tinha que ser honesta, algum dia tinha que retribuir os convites dos colegas e já:
“… Que dizes cozinhar tão bem, porque é que não nos deslumbras com um jantar?” sugere a Ana, famosa pelas sobremesas inovadoras.
Este fim-de-semana, por exemplo?” acrescenta a Matilde, que adora improvisar pratos com ingredientes tradicionais.
As outras que ouviam atentamente, acenaram com a cabeça em sinal de concordância.
Margarida não pode recusar e ei-la agora a pensar como há-de resolver o assunto. Só se pedir ajuda à Mãe, mas já sabe que esta vai fazer um grande discurso.
Não te disse que devias aprender a cozinhar em condições? E agora? Tens que me pedir ajuda…” etc, etc e por isso, quando lê na montra da loja Gourmet perto de casa “serviço de catering”, não hesita e pergunta:
Claro que sim, minha senhora. Temos várias ementas para vários preços. Basta a senhora escolher e nós entregamos tudo no dia e hora combinada. Até podemos servir mediante o pagamento de uma taxa extra. Não? …”
A ementa para sábado:
Entrada:
Camarões salteados com alho, piri-piri e coentros
Queijo Camember assado com oregãos
Pão variado e tostas
Prato Principal
Bifes com natas e pimenta em grão
Sobremesa

Crepes com molho de chocolate e chantilly
"

Excerto do meu conto "Adivinha quem vem jantar" enviado para a Editora Pastelaria Studios para a colectânea com o mesmo nome

segunda-feira, 20 de abril de 2015

OS AMANTES



É certo e sabido que o Joaquim entra às 08h55 no café, pede um café em chávena escaldada e senta-se naquela mesa em frente ao vidro, calado, à espera.
E às 08h59, 09h00, com passo apressado e ainda a abotoar o casaco passa a Catarina. 
Dois minutos depois chega o autocarro, ela entra e o Joaquim levanta-se, paga o café e saí.
De segunda a sexta, esta é a rotina do Joaquim e diz-se por aí que está apaixonado pela Catarina, aquela ruiva esbelta e sexy, mulher do Vicente. O que ela viu no Vicente, ninguém sabe, pois este é atarracado, um pouco gordo e calvo. É uma simpatia, verdade seja dita e os empregados, que também frequentam o café, classificam-no como um patrão exigente, mas justo.
Mas a pergunta continua a ser: será que a Catarina casou-se com ele por causa do dinheiro? Ou haverá ali uma outra história mais macabra?
Oh, rapaz, não digas disparates!” pede-me o Tio Manuel quando me atrevo a contar-lhe as minhas suspeitas à hora de almoço e o café tem pouca gente.

Ora, tio, estamos no século XXI e se estivesse mais tempo na Net, lia histórias ainda mais macabras!” respondi, indignado.

Excerto do meu Conto publicado na Colectânea da Editora Pastelaria Studios e subordinada ao tema "A Mulher do Próximo".

sábado, 18 de abril de 2015

POEMA-ME








É uma honra ter uma vez mais um dos meus poemas seleccionado

pela Editora Lua de Marfim e publicado na colectânea acima ...

E será sempre um prazer contar-vos 

uma história da noite 

ou fazer um discurso à chuva...

Obrigada por partilharem 

comigo esta viagem....


quarta-feira, 15 de abril de 2015

EM NOME DE



Choro....
Por ti... Só por ti...
Pela angústia que leio no teu olhar....
Uma angústia que ninguém tão pequeno devia sentir....
Ou mesmo esse terror e solidão que te pesam nos ombros e que não sabes, não compreendes o que é.....
Não sentes o sol nem partilhas os gritos de alegria de quem brinca tão feliz ........
Porque o teu corpo queixa-se...
Da fome que o assalta....
Do lugar sujo e frio onde te deitas... E onde sonhas... e como sonhas!!!
Que alguém te aconchegue a roupa com um sorriso...
Um sorriso que já viste... mas quando?... Já nem te lembras...
Sabes apenas que esse alguém desapareceu e te deixou sozinho...
Deixando-te à mercê de um mundo egoísta e déspota.........



domingo, 12 de abril de 2015

VERDADEIRAMENTE




Não sei que promessas a vida me fez... Lembro-me apenas dos sonhos...
Dos que desapareceram numa nuvem de cinza...
Dos que duraram um segundo, mas fazem com que ainda sorria...
E às vezes, pergunto-me:
O que faço aqui? O que quero verdadeiramente?...
Mas nem a vida me responde...


quinta-feira, 9 de abril de 2015

PEDRAS




Fácil devassar a vida dos outros e lançar pedras...
Talvez queira esconder como a sua vida não é tão perfeita como diz...
Como se sente só e vulnerável...
Tenho pena de si... Não confunda com inveja...
Porque eu sei que a minha vida não é perfeita, mas vivo-a.... Com alma....